A importância da troca de conhecimento entre universidades e organizações há muito tempo é amplamente reconhecida como um fenômeno significativo.
Um olhar sobre as economias e os níveis de inovação dos países industrializados revela que sua eficiência é devido à produção de conhecimento e sua utilização nas indústrias, assim como a obtenção de vantagens competitivas nos mercados globais.
Assim, a cooperação entre universidades e organizações pode facilitar a transferência de conhecimento e estimular a produção de novos conhecimentos e tecnologias. Isso inclui pesquisa colaborativa, contratos de pesquisa ou consultoria científica, cujos resultados são colocados em prática — em um processo comparável à transferência de tecnologia.
No caso de nosso tema de interesse, Compras, esta estratégia é um dos caminhos para que o Brasil finalmente estude com profundidade os problemas relevantes de uma função que consome de 60% a 70% de toda a receita das empresas.
Motivos para justificar a relevância, não faltam:
55% – 60% da receita de vendas é destinada ao pagamento de fornecedores:
- Gastos com categorias indiretamente relacionadas a produtos e serviços crescente;
- Aumento da variedade e complexidade de contratos de serviços – A Lei da Terceirização;
- Monitoramento e Controle são necessários durante todo o ciclo do relacionamento;
Cadeias de Fornecimento competindo entre si, não mais empresas isoladas:
- Gestão do Relacionamento com fornecedores;
- Gestão do Risco com fornecedores: ESG -> Governança Ambiental, Social e Corporativa;
- COVID-19 expôs novas questões a respeito de fontes de suprimentos (centralizadas, locais, etc);
Corrupção e Fraude nos Meios Empresariais e Públicos:
- Grandes escândalos de corrupção no país, recentes, decorrem do superfaturamento de contratos;
- Empresas pode estar contratando fornecedores que não seguem padrões de integralidade e ética;
- Padrões, Processos e Métricas de referência não convencionados;
Educação, Atualização e Capacitação:
- Tema sendo explorado de forma superficial e fora da universidade no Brasil;
- Tecnologia evoluiu, mas capacitação e treinamento para o uso não na mesma velocidade/qualidade;
- Pouca pesquisa no país;
- Área que não atrai/retém profissionais, desconhecida até o ingresso na vida profissional do estudante;
- Não havia um Centro de Excelência;
Em centros de excelência de estudos em Compras, como na Europa, as linhas de pesquisa são desdobradas de forma a abordar os problemas organizacionais, em Compras como:
Gestão Financeira na cadeia de suprimentos;
- Compras Sustentáveis;
- Compras digitais;
- Globalização das fontes de suprimentos;
- Organização da área compras, habilidades e competências;
- Redes e Cadeias de fornecedores;
- Risco em cadeias de suprimentos;
- Medição de performance de contratos;
- Seleção de fornecedores, avaliação e gestão do relacionamento;
- Cadeias de suprimentos humanitárias;
- Compras para a saúde;
- Envolvimento de fornecedores no processo de inovação;
- Estratégia de abastecimento;
[…] entre outros. Mais recentemente a pandemia COVID-19 trouxe de volta às pesquisas os estudos de internalizar produção ou terceirizar, bem como novos componentes de custo total passam a provocar discussões sobre a localização das fontes de suprimentos.
Ao alavancar a pesquisa universitária com uma abordagem sistemática e sólida, as empresas podem fortalecer sua liderança em tecnologia e mercado. Uma empresa pode adotar diferentes modelos de governança ao escolher um parceiro de pesquisa – as empresas também devem procurar acadêmicos mais adequados que não sejam apenas especialistas em suas áreas, mas também estejam dispostos a trabalhar com os parceiros industriais.
Além disso, as empresas devem concentrar seus esforços em aprender com os acadêmicos, em vez de serem orientadas para resultados pagando para fazer o dever de casa. Isso ecoa a descoberta da pesquisa sobre a natureza complementar da capacidade de absorção de uma empresa, reconfirmando a importância da gestão do relacionamento com as partes interessadas na gestão da inovação.
Para os formuladores de políticas governamentais, é importante criar um ambiente político favorável a essa interação, enquanto para as empresas é fundamental formular um esquema sistemático que possa efetivamente alavancar recursos externos.
É de conhecimento que o ambiente favorável no Brasil, para o tema de Compras, não existe. O CIEC se propõe a executar este papel, com sua proposta de, através de sua dinâmica das Comunidades de Prática, trazer a academia para perto das empresas.
Aproximando os dois elos, O CIEC buscar trazer benefícios da cooperação universidade-empresa são considerados, principalmente para as empresas, tais como: Reforçar a imagem corporativa e institucional; Networking (Universidade/Empresas); Acesso à pesquisa; Atualização sobre trabalhos em andamento; Participação em Congressos e Publicações. Além disso, abre a possibilidade de iniciação na carreira acadêmica, com a elaboração de Casos podendo expandir para artigos.
O CIEC tem esse papel de integrador no processo, com realização da Função Social, apoio na obtenção de recursos financeiros, buscar novas informações para o processo de ensino em Compras, promoção de Pesquisa e, principalmente, fomentar a pesquisa nas modalidades das Universidades.

Coordenador do Centro de Pesquisa CIEC
Leitura recomendada:
Ankrah, S. N., & Al-Tabbaa, O. Universities-Industry Collaboration: A Systematic Review. SSRN Electronic Journal, 2015.doi:10.2139/ssrn.2596018
Mascarenhas, C., Marques, C., Ferreira, J., Galvão, A. University-Industry Collaboration in a Cross-Border Iberian Regions International Regional Science Review.2022.
Ranga, M., & Etzkowitz, H. Triple Helix Systems: An Analytical Framework for Innovation Policy and Practice in the Knowledge Society. Industry and Higher Education, 27(4), 237–262.2013. doi:10.5367/ihe.2013.0165
Yan, X., & Huang, M. Leveraging university research within the context of open innovation: The case of Huawei. Telecommunications Policy, 101956.2020.doi:10.1016/j.telpol.2020.101956